Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

domingo, 12 de maio de 2013

Die young.

   Nunca fui boa em saber - ou descobrir - o que queria da minha vida, desde pequena foi assim. E mesmo depois de alguns anos, parece que não mudou muita coisa. Não me prendo ao passado e vivo o presente como uma dádiva, e o que sei sobre o futuro é que ele é incerto e vacilante demais para os meus sonhos - também incertos. 

   Não tenho senso moral apontado para o norte e  sim para onde desejo construir minha estrada, minha vida. Possuo um desejo de liberdade tão grande que chega a me dar calafrios. Parei de planejar meus dias a algum tempo, não sei à quanto, joguei todos os meus relógios fora. Quero perder noções e viver intensamente. Descobrir o êxtase de ficar sozinha e me divertir mesmo assim. 

   Apesar de tudo ser feliz sem limites, viver por mim e construir minha vida do meu jeito. Mesmo errado, mesmo estranho.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Segredos e hipocondria.

Você sabe todos os meus segredos
do perfume que uso até os remédios que consumo.
Pouco é o que guardo
você sabe onde me encontrar enquanto fumo.

Você sabe que gosto de viver, beber e me esconder
de quase tudo e quase todos.
Sabe que de meias palavras não vivo
e que adoro brincar com fogo.

Me recuso a aceitar a hipocondria que você me causa
e olhei enquanto você partia
De mãos dadas com a minha ideologia.
desbravando um mundo sem causas.

Seus olhos já não invadem minha alma
e não decodificam meus segredos.
Ergui uma parede com calma
para afugentar meus devaneios.

Vento, ventania

E suspiros causei
Cabelos enlinhei
Amores afugentei
E paixões levei

Por praias passei
Verões, esfriei
Quartos invadi
E ondas construí


Areias espalhei
Papeis arrastei
Vestido levantei
E sorrisos causei


Artes transformei
Salas ventilei
Pelo mundo percorri
Para chegar até aqui.


Gabrielle Abreu.

terça-feira, 19 de março de 2013

Ride

Eu estava no inverno de minha vida – e os homens que conheci pela estrada foram meu único verão. À noite caía no sono com visões de mim mesma dançando, rindo e chorando com eles. Três anos estando em uma turnê mundial sem fim e minhas memórias deles eram as únicas coisas que me sustentavam, e meus únicos momentos felizes de verdade. Eu era uma cantora, não muito popular, que uma vez teve sonhos de se tornar uma bela poeta – mas por uma infeliz série de eventos viu aqueles sonhos riscados e divididos como um milhão de estrelas no céu da noite, que desejei de novo e de novo – brilhantes e quebradas. Mas eu não me importava porque sabia que era necessário conseguir tudo que você sempre quis e então perder para saber o que liberdade realmente é.

Quando as pessoas que eu conhecia descobriram o que estive fazendo, como eu tinha vivido – me perguntaram o porquê. Mas não há utilidade em falar com pessoas que tem um lar. Eles sabem o que é procurar segurança em outras pessoas, já que lar é onde você descança sua cabeça.

Sempre fui uma garota incomum, minha mãe me disse que eu tinha uma alma de camaleão. Sem senso de moral apontando para o norte, sem personalidade fixa. Apenas uma indecisão interior tão extensa e tão ondulante quanto o oceano. E se eu disser que não planejei para que tudo fosse desse jeito, estaria mentindo – porque nasci para ser outra mulher. Pertenci a alguém – que pertenceu a todo mundo, quem não teve nada – que quis tudo com uma vontade por cada experiência e uma obsessão por liberdade que me aterrorizava a ponto de não poder sequer falar sobre – e me levou a um ponto de loucura onde tanto me deslumbrava quanto me deixava tonta.
Toda noite eu costumava rezar para que pudesse encontrar meu povo – e finalmente encontrei – na estrada aberta. Não tínhamos nada a perder, nada a ganhar, nada que desejávamos mais – exceto fazer de nossas vidas uma obra de arte.

VIVA RÁPIDO. MORRA JOVEM. SEJA SELVAGEM. E SE DIVIRTA

Eu acredito no país que a América costumava ser. Acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da Estrada aberta. E meu lema é o mesmo de sempre.
*Acredito na gentileza de estranhos. E quando estou em guerra comigo mesma – dirijo. Apenas dirijo.*
Quem é você? Você está em contato com todas as suas fantasias mais sombrias?
Você criou uma vida para si mesma onde é livre para experimentá-la?
Eu criei.
Sou maluca pra caramba. Mas sou livre.

Lana Del Rey

sexta-feira, 1 de março de 2013

Solidão

Solidão dá um tempo e vá saindo
De repente eu tô sentindo
Que você vai se dar mal
Solidão

Meu amor está voltando
Daqui a pouco está chegando
Me abraçando tudo meu, meu

A solidão é nada
Você vem na hora errada
Eu que não te quero aqui

Que solidão que nada
Eu preciso ser amada
Eu preciso ser feliz

Solidão
Ele disse que me ama
Se amarrou em minha cama
Me levou até o céu, céu

Solidão é nada...

Chico Roque/Carlos Colla

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Quero repousar nos seus braços.

   Quero repousar o meu cansaço nos teus braços quentes. Quero permanecer no seu corpo como tatuagem e rabiscar o seu caderno com meu nome, para nunca mais me esquecer. Quero ficar embriagada de amor nos teus braços, quero ficar tonta com seu cheiro e viajar pelo sabor do seu beijo. Estou no abraço eterno da saudade, e os seus braços e abraços não são tão calorosos quanto os seus. E em seus braços quero permanecer uma eternidade sem cortes, uma infinita estrada sem curvas.  

   Permanecer unida ao seu corpo como se fossemos um só. Sentir sua respiração em meu ouvido e encostar a cabeça na curva do seu pescoço. O melhor lugar do mundo. Onde nem o frio nem dor existe, somente eu e você em nosso universo paralelo. Deliciar-me com seu hálito de menta no meu rosto enquanto você sussurra doces palavras, e depois traço o belo caminho do seu rosto até sua orelha e depois paro e permaneço no seu pescoço. Para sempre.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Desenho.

Traça a reta e a curva,
a quebrada e a sinuosa
Tudo é preciso.
De tudo viverás.

Cuida com exatidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
traçarás perspectivas, projetarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes
que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais.


Cecília Meireles.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada contra o olvido 
contra o sem sentido
apelo do não.

As coisas tangíveis 
tornam-se insensíveis 
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas
essas ficarão.


Carlos Drummond de Andrade.