Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Felicidade é.

   Felicidade é dormir até tarde em um dia de chuva, é um pedaço bem grande de bolo de chocolate. Felicidade é uma dádiva, que só a possui os arriscados. Felicidade é segurança, segurança de aqueles que amamos ficará ao nosso lado, independente do que aconteça. Felicidade é um domingo de Sol, uma tarde de sorrisos e uma noite de ventos fortes zunindo nos nossos ouvidos. Nada de cachoeiras de tristeza ou abismos da depressão, somente sorrisos sinceros.

   Felicidade é simples como um copo de leite e demorada como uma pizza. Lamento dizer, mas a felicidade não vai simplesmente bater na sua porta, entrar, sentar na poltrona e conversar. É difícil, a estrada é longa, mas vale a pena. Poucas são as coisas que são importantes e significantes o suficiente para se batalhar, e ser feliz é uma delas, mesmo que seja o mais simples possível. Ser feliz está nos pequenos atos, a da menina apaixonada, é ser correspondida. A do garoto nerd é finalizar algum jogo, a de um atleta é ser campeão, a de uma dona de casa é descansar após arrumar a casa. Cada um tem sua felicidade, seu motivo de ser feliz. Cada um que é feliz sabe o que passou para sorrir hoje.

Ser feliz vale a pena.


Gabrielle Abreu

sábado, 13 de outubro de 2012

Ser criança.

   É ter o primeiro dia de aula, não saber absolutamente nada. Sem saber como pegar em um lápis, as vezes nem falando, apenas balbuciando. E o choro quando a mãe vai embora, aquela coisa de criança de achar que ela se foi e nunca mais vai voltar... Nem é coisa tão criança assim. Os novos amiguinhos, passeios ao Jardim Botânico, jogos da forca, brincar na calçada de amarelinha, dizer "ah" com a língua para fora pro médico olhar, o primeiro dente mole, a primeira vacina. É tão difícil crescer, na verdade dói. E não é aquela dor nos ossos ou nos músculos, é aquela dor na alma de saber que tem coisas que não voltam. Como o ontem, e tempo que podem não vir, como o amanhã. 

   Ai começa as "doces" ilusões amorosas, corações partidos em mil pedaços, a síndrome quero-morrer-porque-ele-não-me-quer. Querida, alguém melhor vai vir, sei que não sou nem a primeira nem a última a dizer isso, mas é a verdade. E os seus problemas, deixe-me contar um segredo meu, acho que você nunca ouviu falar... Seus problemas não sãos o únicos, muito menos o mais importante do mundo.

    Depois vem mais decepção, geralmente depois dos 12 ou 13 já começa as decepções, de todas as formas. A nota não foi tão alta assim, queria desfilar no concurso de beleza do colégio mas não foi escolhida, aquele menino não dá tanta bola assim. O domingo de sol e de praia planejado semana passada com as amigas, pode chover. Somos lutadores profissionais, sabia? Lutamos contra o tempo e contra os problemas oriundos. O pior desafio é segurar aquela lágrima que arde toda noite, ou a vontade de um abraço quase impossível. E finalmente quando nos apaixonamos por alguém, não pera... Seguinte, é uma regra da vida, infelizmente. Quando a gente gosta de alguém provavelmente não será recíproco. Quando alguém gosta da gente, não conseguimos "gostar de volta". E, finalmente, quando duas pessoas se gostam, moram com um abismo enorme entre elas. Ai vem, o peso da saudade te levando pra baixo. Ah saudade, senhora das lágrimas e das dores, porque és tão cruel?


   Sim, já deixamos a doce fase da infância, brincadeira eterna. Agora vamos fazer uma brinde à dramas, amores, ilusões, decepções, traições, mentiras, lágrimas, ódio do mundo, falsidades, amigos, problema. Obrigado, adolescência.

Gabrielle Abreu.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Algumas coisas esquecidas.

   O tempo passou, mas passou rápido demais. Já não lembro o nome daquela rua ou número de telefone de alguém que um dia foi importante para mim. Já não lembro como é a sensação de ralar os joelhos ou a tensão de quando a bola do jogo ia para o meio da rua. Já não lembro como é vencer, antes tudo era tão fácil, rápido e pratico. Parecia até que o vento nos levava para frente o universo sempre conspirava ao nosso favor. Agora é tudo tão... Inconveniente, chato, tedioso. Aquelas mesmas músicas já não fazem sentido, aquela pulseira já não tem o mesmo significado. E aquela carta, agora amassada na lata de lixo, nem faz falta na minha pilha de papéis.

   Esqueci como é ter medo do escuro, já estou tão adaptada à ele. Esqueci como é ter medo de fantasmas e monstros, já que agora vivo em um cenário de delinquentes. Esqueci do significado de horas iguais, esqueci de lugares, de momentos, de números da sorte e de costumes. E sabe, o mais importante, esqueci de você, sim de logo de você que prometi sempre te amar e repetia milhares e milhares de vezes que nunca te esqueceria. Mas o tempo não pára, meu bem, assim como ele andou para você ele andou para mim. 

   E aquelas palavras e juras eternas, já não fazem mais sentido. Como aquela árvore que rabiscamos nossas iniciais no começo do ano passado e minha cama riscada com suas iniciais. Infelizmente, com tinta permanente, mas felizmente o tempo não é permanente. Ele sai, escorre, dissipa e esvai. E assim como ele, minha memória curta, fez o mesmo. Se foi. 

Gabrielle Abreu.