Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Algumas coisas esquecidas.

   O tempo passou, mas passou rápido demais. Já não lembro o nome daquela rua ou número de telefone de alguém que um dia foi importante para mim. Já não lembro como é a sensação de ralar os joelhos ou a tensão de quando a bola do jogo ia para o meio da rua. Já não lembro como é vencer, antes tudo era tão fácil, rápido e pratico. Parecia até que o vento nos levava para frente o universo sempre conspirava ao nosso favor. Agora é tudo tão... Inconveniente, chato, tedioso. Aquelas mesmas músicas já não fazem sentido, aquela pulseira já não tem o mesmo significado. E aquela carta, agora amassada na lata de lixo, nem faz falta na minha pilha de papéis.

   Esqueci como é ter medo do escuro, já estou tão adaptada à ele. Esqueci como é ter medo de fantasmas e monstros, já que agora vivo em um cenário de delinquentes. Esqueci do significado de horas iguais, esqueci de lugares, de momentos, de números da sorte e de costumes. E sabe, o mais importante, esqueci de você, sim de logo de você que prometi sempre te amar e repetia milhares e milhares de vezes que nunca te esqueceria. Mas o tempo não pára, meu bem, assim como ele andou para você ele andou para mim. 

   E aquelas palavras e juras eternas, já não fazem mais sentido. Como aquela árvore que rabiscamos nossas iniciais no começo do ano passado e minha cama riscada com suas iniciais. Infelizmente, com tinta permanente, mas felizmente o tempo não é permanente. Ele sai, escorre, dissipa e esvai. E assim como ele, minha memória curta, fez o mesmo. Se foi. 

Gabrielle Abreu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário