Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O que você fez, não sei
Parece até doença.
Me deixa com febre de amor 
e enjôo de paixões.

Você me deixa com esquizofrenia de saudade
Taquicardia de beijos
Sobre a cura, digo:
"Leve-a para longe de mim
sou feliz doente assim."

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

168 horas de solidão[saudade

É muito amor
para muita distância e
tão pouco tempo.

São quatro horas de amor
por cento e sessenta e oito
de distância
desanimo
saudade,
injusto não?

E dói,
corrói
esse amor que envenena minhas veias
de aço,
que transborda salgado
pelos olhos.

Que permanece nos meus dedos
e não me deixa dormir.
Insônia chamada,
você.

domingo, 17 de agosto de 2014

Visitantes

Há um visitante
tarde da noite,
sentado em meu sofá
tomando do meu café
apenas observando.

Esperando
atenciosamente um desvio meu,
para levar-me embora.
Para onde, não sei.
Sepultura, talvez.

Ele é tão negro quanto o céu 
que se estende na janela em sua frente.
Silencioso como uma serpente
que rasteja pela terra molhada.
Molhada com meu próprio sangue, talvez.

Apenas aguarda, observa 
atentamente.
Respira
v-a-g-a-r-o-s-a-m-e-n-t-e.
Levanta-se e vai embora
rapidamente.

Mas enfim,
posso vê-lo.
E depois
nada vejo.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

7 minutos.

Em sete minutos, tudo se vai.
Aquilo o que você construiu, cultivou e plantou,
simplesmente quebra, apodrece e cai,
da cesta que é seu corpo.

Seu peito aperta e contrai,
para de bater e alimentar suas veias e artérias suculentas.
E secam, como suas lágrimas da noite antepassada,
molhadas de uísque.

Suas órbitas petrificam e estagnam, 
bem como as pedras no seu rim.
Estagnadas no meio do trajeto para o infinito 
que é fora do seu corpo, já apodrecendo.

E a única coisa que seu corpo vai conhecer a partir de hoje,
é o rigor mortis.
Os vermes roendo a carne do seu rosto,
que tanto o fazia ser como príncipe, narcisista.

Gabrielle Abreu