Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

domingo, 17 de agosto de 2014

Visitantes

Há um visitante
tarde da noite,
sentado em meu sofá
tomando do meu café
apenas observando.

Esperando
atenciosamente um desvio meu,
para levar-me embora.
Para onde, não sei.
Sepultura, talvez.

Ele é tão negro quanto o céu 
que se estende na janela em sua frente.
Silencioso como uma serpente
que rasteja pela terra molhada.
Molhada com meu próprio sangue, talvez.

Apenas aguarda, observa 
atentamente.
Respira
v-a-g-a-r-o-s-a-m-e-n-t-e.
Levanta-se e vai embora
rapidamente.

Mas enfim,
posso vê-lo.
E depois
nada vejo.

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