Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Scar tissue.

   Hoje achei os papéis dos planos que rascunhei há alguns anos. Planos tão afastados da minha situação atual, que me pergunto como mudei de direção tão drasticamente. Vamos aos itens, de uma lista no verso da folha. "Viver ao máximo e ser feliz!", santa seja a ironia do destino. Chego a me questionar se vivo ou sobrevivo, a vida que levo hoje chega a ser quase detestável. Trabalhos, trabalhos, estudos, sono. Sinto falta do bronzeado da minha pele de ir à praia quase toda tarde. Infelizmente, me deixei levar pelos valores consumistas e viver a base da ditadura da felicidade. "Dinheiro, preciso de um pouco mais."

   "Casar e ter um casal de filhos", mais uma vez o destino me faz rir. Casar? Não mesmo. Homem hoje em dia está com defeito de mercado, pelo menos a grande maioria. Infelizmente, a intensidade da dor de um coração partido não diminui com a idade, machucar meu coração agora pode comprometer muita coisa. Coração partido nos leva a comer chocolate, comer chocolate nos faz engordar, e se nós engordamos nos tornamos feias, e feia eu, com certeza, não seria "feliz" comigo mesma. Mas sou uma mulher forte e independente, e na minha bolsa carrego uma arma carregada. Carregada com minhas mágoas e nostalgias do passado.

   Talvez eu seja capaz de fazer outra "lista de desejos" e posso até chegar a tentar segui-la, não estritamente mas tentar não faz mal. O futuro tem o costume de cair no meio de todos os nossos planos. Talvez posso morrer ao deitar para dormir hoje, nunca se sabe.

Gabrielle Abreu.

sábado, 28 de julho de 2012

O limite está além do céu.

   Como é complicado não saber o que nós mesmos sentimos. Talvez seja uma tristeza ou seja mesmo preguiça. Medo, acho que definiria melhor o que eu estou sentindo. Uma dose de medo e uma saideira de insegurança. Perfeito! Medo de perder o pouco que conquistamos e a insegurança de reconquistar o que o vento levou em momentos levianos. Minha sábia avó, disse-me que estava na hora de parar de se preocupar, jogar tudo para o alto, que está mais que na hora de eu me livrar do peso das consequências e voar o mais alto que minhas asas permitirem.

    Mas, e se eu cair? Será que eu vou sobreviver a queda? E os meus sonhos, será que eles continuariam voando tão alto mesmo depois disso tudo? Acorrentar os sonhos não é uma boa ideia, mesmo parecendo que seja algo impossível. Mas nada é impossível, é tudo questão de percepção e opinião. Deveria ser lei, seguir os seus sonhos, ninguém é feliz plantando a semente alheia. Está na hora de plantarmos nossa árvore e colher os frutos que gostamos, você não acha?

    A vida tem o costume de mudar drasticamente e sem motivo, simples. Amanhece e anoitece e ela muda de acordo com as fases da Lua. Viver de entrelinhas, viver de significados ocultos e enigmas que chamamos de sentimentos, por que tanta indireta? Podemos ser diretos. Onde está a liberdade de expressão?

Gabrielle Abreu.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Saudades de fotografias.



    Memórias concretas, viagens no tempo. Machuca olha aquela foto sua, aquela memória gasta pelo o passar do tempo, e olha pro lado e perceber que agora é somente em fotos que você está ao meu lado. Alguns sonhos perdidos, vontades passadas, esperanças desaparecidas. Lembro de quando nós viajávamos, você me fazia dirigir para ficar batendo fotografias, e quando eu estava distraída batia fotos de mim, e eu ficava chateada por isso. Somente você sabe como odeio fotos. 


   Você odeia como eu sou preguiçosa e desanimada. Odeio aquela música que agora está tocando sem parar na rádio, e você para provocar coloca ela bem alto. Odeio quando você me faz te odiar. Odeio mais ainda por que não consigo te odiar. Não consigo odiar suas fotos, suas manias, seu jeito irritante de ficar me imitando quando estou com raiva e me fazer rir no meio de uma discussão. Odeio quando você chega por trás e me faz cócegas e depois me imita "cócegas me deixa vermelha e com falta de ar, idiota".


   Meus dias vem sendo difíceis sem você. Sem suas brincadeiras e piadas fora de hora. Sim, não nego por mais que eu esconda, eu sinto sua falta. Sinto falta de você tocando seu violão e cantando pra mim, do seu cabelo que nunca fica do jeito que você queria. Apesar de eu odiar seu jeito eufórico, ando precisando de euforias nos meus dias que tem se seguido tão sozinhos. 

    De repente nós, eu e você estarmos juntos foi meio, inesperado. Mas no fundo nós éramos, e ainda somos tão parecidos e opostos ao mesmo tempo quanto as cores preto e branco. Lembro de como você queria me abraçar forte até eu sentir falta de ar, mas não podia por causa das minhas dores nas costas. Lembro de como a gente era errado. Lembro de como a gente brincava de tudo, por mais que a situação fosse crítica. Agora todos os meus "ódios" pelas coisas que você fazia, se tornaram fúteis. 
   
   Agora você está longe demais, e infelizmente agora são somente fotos. Esperanças mortas.


Gabrielle Abreu.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Eu falei, e até jurei que essa não era para você, e agora é.

   Esse não seria sobre seus olhos tão negros quanto o cosmo, que brilham mais que aquela estrela que pesquisamos a alguns dias, só por curiosidade. Se me recordo bem, seu nome era Sírius. Que seu olhar não seria tão hipnotizante quanto o tic-tac do relógio. Que sua voz não seria tão melódica quanto aquela nossa música. Lembro que há alguns meses, todos diziam que "nós não daríamos certo, por que somos de mundo totalmente diferentes e opostos." 


   É tudo bem diferente mesmo, mas em alguns pontos somos tão parecidos como nenhum outro será. Em nenhuma outra pessoa meu corpo encaixará tão bem em um abraço como o seu abraço. E que nunca encontrarei lábios tão doces quanto os seus. E que seus dedos entrelaçam tão perfeitamente nos meus, como se fossem feitos um para o outro. E do seus cabelos castanhos-dourados, ou do jeito que você "aproveita a vida com perigo".  E o quanto eu fico chateada com isso, com medo de que algo aconteça, e sempre que fico assim você vem com o seu abraço quente e sussurra "nada vai acontecer, mesmo que não esteja no físico, você sempre vai estar comigo. Você é meu anjo da guarda, pequena."


   O seu jeitinho irritante de ficar implicando comigo por que eu cortei minha franja torta, ou como eu sujo a cozinha toda quando vou fazer algo para comer. E só você sabe que quando eu fico com raiva de algo eu fico estalando a língua, e que quando eu quero um abraço eu fico batendo ombro com ombro. Você sabe dos meus gostos estranhos, das minhas manias ousadas. Você me conhece como nenhum outro, baby.


Gabrielle Abreu.