Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Os mortos me inspiram
sussurram nos meus
ouvidos poesias mórbidas.
Gritam silêncios gelados,
cortantes.

Choram melodias escuras
como a meia noite.
Respiram o pesado
de uma cripta
que um dia ainda houve vida.

Batem as portas.
Fogem à relva.
Partem-se como folhas secas,
tão frágeis.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

A mágoa é interessante
como a água, incessante.
Percorre minhas veias 
com ardência.

Parece até infarto
quando meu coração
contrai.
Maldito músculo estriado.

Enquanto as lágrimas
escorrem
a solidão torna-se 
meu lenço, 
melhor amiga.

Morfeu está sempre 
ao meu lado.
O sono agora
é meu aliado,
mas não posso dormir.

O frio desses dias
se instalou entre nós.
E ficou.
Espero que não para sempre.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Gaiolas intocáveis

Amor sempre foi uma coisa desconhecida para mim. Objeto de desejo de todos. A vontade de se mover junto com a maré vermelha sempre moveu a humanidade. Amor por tudo ou nada, singular a todos. Único para vários. Os coraçõezinhos que percorrem pulsos são tão pulsantes quanto o órgão. A vontade de querer sorrir para e por alguém, sempre será a meta secreta de uma sociedade tão transparente e vazia. A vontade de chorar será incompleta por falta de algo impertinente que ninguém, nem você, saberá o por que.

O por que que percorrerá seus sonhos lúcidos e cochilos acordados. Será sua coragem, a resposta e pergunta desse por que. E a resposta única não será suficiente, por que o ser quer mais. Quer respostas para uma pergunta que precisa de gestos.

Por que o amor é ganancioso. É um animal enlouquecido em um labirinto infinito de rosas com muitos espinhos. Um universo com muitas estrelas. Exageros desnecessários. 

Será intenso como uísque quente que rasga as entranhas e revira o estômago. E enquanto minha cabeça gira, eu só pergunto sobre as borboletas.

E no momento de amor consumado, as borboletas gritam e voam, vão e voltam, como um incessante tic-tac, exaustivo...E depois o vermelho do amor fica estampado mostrando que fui, e serei, sempre vítima desse desejo que me consome, até fogo pegar.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Caiu como o balão azul
das cantigas infantis.
Foi ao chão como a rosa
que vivia junto do cravo.

Dezesseis anos se vão,
em um domingo de eleição.
Conselhos e carinhos não terei mais.
Somente lembranças lentas
e vagarosas.
                   [impertinentes.

A corrida.

O vento atravessa
os fios soltos.
Invade minha blusa,
refresca-me o rosto,
irrita-me o nariz.

Faz-me chorar por
impurezas, 
dessa cidade contaminada
de alienados.

Buzinas e assobios,
não chegam aos meus
ouvidos.
Preechidos por fones
                    [batidas
irregulares como 
o coração
de uma desinformada.

sábado, 31 de janeiro de 2015

O amor não é flor,
não é rosa,
tulipa 
ou orquídea.

É a raiz que sustenta.
Debaixo da terra
que alimenta.

Não é partes.
É um todo,
tudo de uma
vez.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A vida 
gosta de brincar
de morte.

Gosta de sangue
de negro
obscuro
e pérfido.

Pútrido
seja seu nome.
Paradoxal como
eu.

Somos zumbis
do fato de existir.
Por que a vida
é morte.

Gabrielle Abreu.