Recordei-me-ei quando era mais nova, e olhava para minha mãe e minha irmã e achava que ser mais velha era bom, que tudo é mais fácil. Poder ficar em casa só, sair sem companhia, ter namorado. Era eu, tão desinformada que não julgava o quão fácil era ser criança. A gente cresce e percebe que fácil era o tempo que joelhos ralados e perder o desenho animado eram as maiores das preocupações que poderíamos ter, se é que naqueles bons tempos nos preocupávamos com alguma coisa.
Assistia o jornal das 8 esperando começar a novelinha infantil que sempre passava após o mesmo. Olhava as notícias, observava a queda do dólar ou tal guerra civil que aconteceu em tal país e fingia entender para impressionar os parentes que estavam perto, mas nunca entendia uma palavra do que falavam. Lembro do medo que senti quando assisti O Chamado pela primeira vez e passei a dormir com o corpo todo coberto, apesar do calor de dezembro.
Lembro que não sabia comer de garfo e faca, e quando tentava fazia arrozes voar pela a cozinha e minha mãe gritava comigo. De quando estudar era fácil, e não existiam deltas e leis de conservação no meu dia-a-dia. Lembro do medo que sentia ao dormir sem minha mãe do lado ou ficar no escuro sozinha. Lembro-me de como me lambuzava ao comer aquele chocolate que sobrava na panela.
Sim, ainda raspo chocolate da panela. Hoje ao invés de sentir medo do escuro, simplesmente estou adaptada a ele. Algumas coisas ainda são fáceis, mas sempre há aquelas que sempre serão difíceis, mesmo passando pela situação milhares de vezes. Talvez o amor seja um dessas situações, mesmo não querendo amar, ao pensar acabamos amando sem querer. Talvez a raiva incontrolável também, aquela sensação quente que sobre para a cabeça, e de repente tudo que olhamos se transforma em uma arma mortífera capaz de matar instantaneamente.
Algumas coisas mudam, querido. Mas só porque mudam, não significa que aprendemos.
Lembro que não sabia comer de garfo e faca, e quando tentava fazia arrozes voar pela a cozinha e minha mãe gritava comigo. De quando estudar era fácil, e não existiam deltas e leis de conservação no meu dia-a-dia. Lembro do medo que sentia ao dormir sem minha mãe do lado ou ficar no escuro sozinha. Lembro-me de como me lambuzava ao comer aquele chocolate que sobrava na panela.
Sim, ainda raspo chocolate da panela. Hoje ao invés de sentir medo do escuro, simplesmente estou adaptada a ele. Algumas coisas ainda são fáceis, mas sempre há aquelas que sempre serão difíceis, mesmo passando pela situação milhares de vezes. Talvez o amor seja um dessas situações, mesmo não querendo amar, ao pensar acabamos amando sem querer. Talvez a raiva incontrolável também, aquela sensação quente que sobre para a cabeça, e de repente tudo que olhamos se transforma em uma arma mortífera capaz de matar instantaneamente.
Algumas coisas mudam, querido. Mas só porque mudam, não significa que aprendemos.
Gabrielle Abreu.
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