Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Felicidade é.

   Felicidade é dormir até tarde em um dia de chuva, é um pedaço bem grande de bolo de chocolate. Felicidade é uma dádiva, que só a possui os arriscados. Felicidade é segurança, segurança de aqueles que amamos ficará ao nosso lado, independente do que aconteça. Felicidade é um domingo de Sol, uma tarde de sorrisos e uma noite de ventos fortes zunindo nos nossos ouvidos. Nada de cachoeiras de tristeza ou abismos da depressão, somente sorrisos sinceros.

   Felicidade é simples como um copo de leite e demorada como uma pizza. Lamento dizer, mas a felicidade não vai simplesmente bater na sua porta, entrar, sentar na poltrona e conversar. É difícil, a estrada é longa, mas vale a pena. Poucas são as coisas que são importantes e significantes o suficiente para se batalhar, e ser feliz é uma delas, mesmo que seja o mais simples possível. Ser feliz está nos pequenos atos, a da menina apaixonada, é ser correspondida. A do garoto nerd é finalizar algum jogo, a de um atleta é ser campeão, a de uma dona de casa é descansar após arrumar a casa. Cada um tem sua felicidade, seu motivo de ser feliz. Cada um que é feliz sabe o que passou para sorrir hoje.

Ser feliz vale a pena.


Gabrielle Abreu

sábado, 13 de outubro de 2012

Ser criança.

   É ter o primeiro dia de aula, não saber absolutamente nada. Sem saber como pegar em um lápis, as vezes nem falando, apenas balbuciando. E o choro quando a mãe vai embora, aquela coisa de criança de achar que ela se foi e nunca mais vai voltar... Nem é coisa tão criança assim. Os novos amiguinhos, passeios ao Jardim Botânico, jogos da forca, brincar na calçada de amarelinha, dizer "ah" com a língua para fora pro médico olhar, o primeiro dente mole, a primeira vacina. É tão difícil crescer, na verdade dói. E não é aquela dor nos ossos ou nos músculos, é aquela dor na alma de saber que tem coisas que não voltam. Como o ontem, e tempo que podem não vir, como o amanhã. 

   Ai começa as "doces" ilusões amorosas, corações partidos em mil pedaços, a síndrome quero-morrer-porque-ele-não-me-quer. Querida, alguém melhor vai vir, sei que não sou nem a primeira nem a última a dizer isso, mas é a verdade. E os seus problemas, deixe-me contar um segredo meu, acho que você nunca ouviu falar... Seus problemas não sãos o únicos, muito menos o mais importante do mundo.

    Depois vem mais decepção, geralmente depois dos 12 ou 13 já começa as decepções, de todas as formas. A nota não foi tão alta assim, queria desfilar no concurso de beleza do colégio mas não foi escolhida, aquele menino não dá tanta bola assim. O domingo de sol e de praia planejado semana passada com as amigas, pode chover. Somos lutadores profissionais, sabia? Lutamos contra o tempo e contra os problemas oriundos. O pior desafio é segurar aquela lágrima que arde toda noite, ou a vontade de um abraço quase impossível. E finalmente quando nos apaixonamos por alguém, não pera... Seguinte, é uma regra da vida, infelizmente. Quando a gente gosta de alguém provavelmente não será recíproco. Quando alguém gosta da gente, não conseguimos "gostar de volta". E, finalmente, quando duas pessoas se gostam, moram com um abismo enorme entre elas. Ai vem, o peso da saudade te levando pra baixo. Ah saudade, senhora das lágrimas e das dores, porque és tão cruel?


   Sim, já deixamos a doce fase da infância, brincadeira eterna. Agora vamos fazer uma brinde à dramas, amores, ilusões, decepções, traições, mentiras, lágrimas, ódio do mundo, falsidades, amigos, problema. Obrigado, adolescência.

Gabrielle Abreu.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Algumas coisas esquecidas.

   O tempo passou, mas passou rápido demais. Já não lembro o nome daquela rua ou número de telefone de alguém que um dia foi importante para mim. Já não lembro como é a sensação de ralar os joelhos ou a tensão de quando a bola do jogo ia para o meio da rua. Já não lembro como é vencer, antes tudo era tão fácil, rápido e pratico. Parecia até que o vento nos levava para frente o universo sempre conspirava ao nosso favor. Agora é tudo tão... Inconveniente, chato, tedioso. Aquelas mesmas músicas já não fazem sentido, aquela pulseira já não tem o mesmo significado. E aquela carta, agora amassada na lata de lixo, nem faz falta na minha pilha de papéis.

   Esqueci como é ter medo do escuro, já estou tão adaptada à ele. Esqueci como é ter medo de fantasmas e monstros, já que agora vivo em um cenário de delinquentes. Esqueci do significado de horas iguais, esqueci de lugares, de momentos, de números da sorte e de costumes. E sabe, o mais importante, esqueci de você, sim de logo de você que prometi sempre te amar e repetia milhares e milhares de vezes que nunca te esqueceria. Mas o tempo não pára, meu bem, assim como ele andou para você ele andou para mim. 

   E aquelas palavras e juras eternas, já não fazem mais sentido. Como aquela árvore que rabiscamos nossas iniciais no começo do ano passado e minha cama riscada com suas iniciais. Infelizmente, com tinta permanente, mas felizmente o tempo não é permanente. Ele sai, escorre, dissipa e esvai. E assim como ele, minha memória curta, fez o mesmo. Se foi. 

Gabrielle Abreu.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

"Desabafo."

   Amor não é sinônimo de felicidade, nunca foi. Amor é meio que uma doença sem cura e sem remédio. E o pior sem analgésicos. Relacionamentos não vivem a base de sorrisos e risos, relacionamento sobrevivem à brigas sem razão e ciúmes bobos. Amor não é dizer eu te amo de cinco em cinco minutos. Não é mandar torpedo de madrugada com frases do Caio Fernando de Abreu. Não é escolher aquela música que praticamente narra a história a dois. Amor não é aquela coisa de quando você conhece alguém virtualmente você fica, "nossa e vou te amar por que você é um estereotipo de perfeição: dinheiro,beleza e carro." Não, você não ama. A beleza é só mais um fator que chama atenção das "meninas", mulheres se importam se você vai ligar a noite para atrapalhar seu sono ou se você lembrou do beijo de boa noite. 


   As pessoas de hoje não se importam com o seu caráter, em redes sociais de repente todos respeitam seu jeito de pensar e se importam com o seu caráter e falam que " a beleza um dia cria rugas e o dinheiro acaba, o que importa é o caráter." Ninguém liga para isso, ninguém liga para o que você pensa. As poucas pessoas que dizem que se importam, só dizem. As pessoas prestam mais atenção na sua conta bancária, no carro 0km que você comprou semana passada, pela garota que você desfila de mão dada. As vezes nem é tudo o que importa, mas isso é só mais uma consequência do mundo capitalista. 


   O amor é de hoje é sinônimo de dinheiro "quanto mais dinheiro mais eu vou te amar."O amor não é borboletas no estômago, o amor não e sinônimo de céu azul ou praia deserta. O amor de verdade é quase o inferno na terra, amor é... Amor é guerra, é briga, é violência. Amor é invasão de privacidade, é falta de paciência. Amor é sexo. Eu quero um casal de verdade, que se cuide, ter namorado em rede social é muito fácil quero um casal  que xingue, brigue 23 horas por dia e na última hora faça as pazes e se enchem de amor. Amor é aquele que dura 75 anos por que quando é amor verdadeiro quando quebra, é só consertar e não jogar fora e comprar outro.

Gabrielle Abreu.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Pain.

   Eu posso até dizer que sei como é sua dor, mas eu só estaria mentindo para lhe confortar. Mas eu nem imagino como é. A dor é bem singular, apesar de todos nós já termos passado pela mesma situação. A dor da decepção em si, já é cortante. Já a dor da mentira em si, nem é dor de verdade, é mais raiva por ser enganado.

   Chorar faz bem, assim meio que liberdade de deixar os sentimentos transbordarem. Chora, meu bem, chora até dormir que assim quem sabe você acorda sem resquícios de sofrimento. Tem gente, como eu, que se faz de forte e não chora, são as mais destruídas por dentro. O que não transborda, queima por dentro.

   Faça o que achar necessário, é você quem sabe. Não se deixe levar por conselhos alheios. Tome suas decisões, e espero que não sejam precipitadas. Só não se feche para o amor. O amor sempre vale a pena.


Uma carta para minha amiga Anne.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Alguns rascunhos mentirosos.

  E então depois daquela tarde, um pouco mais quente que o normal do começo de agosto, eu me fiz uma jura. De não amar mais, de largar o apego, de simplesmente deixar que a brisa leve o que a ventania nos trouxe. Um coração partido uma única vez, nunca mais é o mesmo. Amor não é como aquelas batatinhas do circo ou um chocolate quente em um dia frio. Amor é droga, amar é perigoso. Amar você é suicídio. 

   Muitas vezes julgamos o livro pela capa, sem ao menos pensar em seu conteúdo. Apesar de livros, revistas, pessoas e objetos também temos o costume de julgar sentimentos. Conheço pessoas sem amigos, totalmente isoladas, anti-sociais, desleixadas e que não seja por isso deixam de ser pessoas maravilhosas. Bem melhor que patricinhas que encontramos vestidas em vestidos caros, saltos de marca e bolsas de couro que a única coisa que tem a oferecer é o preço do vestido da última festa em que frequentaram. Possuo livros com a capa rasgada, folhas amassadas e ainda sim são livros com histórias surpreendentes apesar da aparência não-convidativa. 

   A mesma coisa acontece com os sentimentos. Amizade. Geralmente representada por fotos de amigos felizes e se abraçando, e dizendo frases de "por nossa amizade derrubo barreiras." Poucas são a amizades que sobrevivem aos espinhos, imagine a uma cerca elétrica. Amigos vem e vão, alguns nos fazem sorrir outros chorar. Nada é perfeito, nem mesmo aquela amizade de 14 anos que tenho com minha vizinha. Brigamos e xingamos toda hora. Somos vizinhas e tem semanas que nem nos vemos! Então tenha quase certeza, aqueles amigos virtuais que você fez a alguns meses, não vai sair da cidade dele e vir até aqui para lhe conhecer. Se vier, acredite é amor. 

   Ah, outro sentimento ilusório. Amor, o pai das lágrimas após o crepúsculo. O amor é sempre representado por corações vermelhos, pulsos riscados com iniciais e indiretas em redes sociais. Quando não, é só melancolia. Ninguém sabe a dor do amor, a não ser quem sofre. É terrível ter amigos sofrendo com a "doença do amor" e simplesmente não saber o que falar. "Vai passar"? Sofro de amor a quase 1 ano pela mesma pessoa e apesar de todos os meus amigos falarem "vai passar" nunca passou, e como eu fico? Inconsolada? Não. Triste? Talvez. Mas nada dura para sempre. Espero que essa minha fase o vento leve, como levou todas as outras. 


Gabrielle Abreu.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Scar tissue.

   Hoje achei os papéis dos planos que rascunhei há alguns anos. Planos tão afastados da minha situação atual, que me pergunto como mudei de direção tão drasticamente. Vamos aos itens, de uma lista no verso da folha. "Viver ao máximo e ser feliz!", santa seja a ironia do destino. Chego a me questionar se vivo ou sobrevivo, a vida que levo hoje chega a ser quase detestável. Trabalhos, trabalhos, estudos, sono. Sinto falta do bronzeado da minha pele de ir à praia quase toda tarde. Infelizmente, me deixei levar pelos valores consumistas e viver a base da ditadura da felicidade. "Dinheiro, preciso de um pouco mais."

   "Casar e ter um casal de filhos", mais uma vez o destino me faz rir. Casar? Não mesmo. Homem hoje em dia está com defeito de mercado, pelo menos a grande maioria. Infelizmente, a intensidade da dor de um coração partido não diminui com a idade, machucar meu coração agora pode comprometer muita coisa. Coração partido nos leva a comer chocolate, comer chocolate nos faz engordar, e se nós engordamos nos tornamos feias, e feia eu, com certeza, não seria "feliz" comigo mesma. Mas sou uma mulher forte e independente, e na minha bolsa carrego uma arma carregada. Carregada com minhas mágoas e nostalgias do passado.

   Talvez eu seja capaz de fazer outra "lista de desejos" e posso até chegar a tentar segui-la, não estritamente mas tentar não faz mal. O futuro tem o costume de cair no meio de todos os nossos planos. Talvez posso morrer ao deitar para dormir hoje, nunca se sabe.

Gabrielle Abreu.

sábado, 28 de julho de 2012

O limite está além do céu.

   Como é complicado não saber o que nós mesmos sentimos. Talvez seja uma tristeza ou seja mesmo preguiça. Medo, acho que definiria melhor o que eu estou sentindo. Uma dose de medo e uma saideira de insegurança. Perfeito! Medo de perder o pouco que conquistamos e a insegurança de reconquistar o que o vento levou em momentos levianos. Minha sábia avó, disse-me que estava na hora de parar de se preocupar, jogar tudo para o alto, que está mais que na hora de eu me livrar do peso das consequências e voar o mais alto que minhas asas permitirem.

    Mas, e se eu cair? Será que eu vou sobreviver a queda? E os meus sonhos, será que eles continuariam voando tão alto mesmo depois disso tudo? Acorrentar os sonhos não é uma boa ideia, mesmo parecendo que seja algo impossível. Mas nada é impossível, é tudo questão de percepção e opinião. Deveria ser lei, seguir os seus sonhos, ninguém é feliz plantando a semente alheia. Está na hora de plantarmos nossa árvore e colher os frutos que gostamos, você não acha?

    A vida tem o costume de mudar drasticamente e sem motivo, simples. Amanhece e anoitece e ela muda de acordo com as fases da Lua. Viver de entrelinhas, viver de significados ocultos e enigmas que chamamos de sentimentos, por que tanta indireta? Podemos ser diretos. Onde está a liberdade de expressão?

Gabrielle Abreu.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Saudades de fotografias.



    Memórias concretas, viagens no tempo. Machuca olha aquela foto sua, aquela memória gasta pelo o passar do tempo, e olha pro lado e perceber que agora é somente em fotos que você está ao meu lado. Alguns sonhos perdidos, vontades passadas, esperanças desaparecidas. Lembro de quando nós viajávamos, você me fazia dirigir para ficar batendo fotografias, e quando eu estava distraída batia fotos de mim, e eu ficava chateada por isso. Somente você sabe como odeio fotos. 


   Você odeia como eu sou preguiçosa e desanimada. Odeio aquela música que agora está tocando sem parar na rádio, e você para provocar coloca ela bem alto. Odeio quando você me faz te odiar. Odeio mais ainda por que não consigo te odiar. Não consigo odiar suas fotos, suas manias, seu jeito irritante de ficar me imitando quando estou com raiva e me fazer rir no meio de uma discussão. Odeio quando você chega por trás e me faz cócegas e depois me imita "cócegas me deixa vermelha e com falta de ar, idiota".


   Meus dias vem sendo difíceis sem você. Sem suas brincadeiras e piadas fora de hora. Sim, não nego por mais que eu esconda, eu sinto sua falta. Sinto falta de você tocando seu violão e cantando pra mim, do seu cabelo que nunca fica do jeito que você queria. Apesar de eu odiar seu jeito eufórico, ando precisando de euforias nos meus dias que tem se seguido tão sozinhos. 

    De repente nós, eu e você estarmos juntos foi meio, inesperado. Mas no fundo nós éramos, e ainda somos tão parecidos e opostos ao mesmo tempo quanto as cores preto e branco. Lembro de como você queria me abraçar forte até eu sentir falta de ar, mas não podia por causa das minhas dores nas costas. Lembro de como a gente era errado. Lembro de como a gente brincava de tudo, por mais que a situação fosse crítica. Agora todos os meus "ódios" pelas coisas que você fazia, se tornaram fúteis. 
   
   Agora você está longe demais, e infelizmente agora são somente fotos. Esperanças mortas.


Gabrielle Abreu.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Eu falei, e até jurei que essa não era para você, e agora é.

   Esse não seria sobre seus olhos tão negros quanto o cosmo, que brilham mais que aquela estrela que pesquisamos a alguns dias, só por curiosidade. Se me recordo bem, seu nome era Sírius. Que seu olhar não seria tão hipnotizante quanto o tic-tac do relógio. Que sua voz não seria tão melódica quanto aquela nossa música. Lembro que há alguns meses, todos diziam que "nós não daríamos certo, por que somos de mundo totalmente diferentes e opostos." 


   É tudo bem diferente mesmo, mas em alguns pontos somos tão parecidos como nenhum outro será. Em nenhuma outra pessoa meu corpo encaixará tão bem em um abraço como o seu abraço. E que nunca encontrarei lábios tão doces quanto os seus. E que seus dedos entrelaçam tão perfeitamente nos meus, como se fossem feitos um para o outro. E do seus cabelos castanhos-dourados, ou do jeito que você "aproveita a vida com perigo".  E o quanto eu fico chateada com isso, com medo de que algo aconteça, e sempre que fico assim você vem com o seu abraço quente e sussurra "nada vai acontecer, mesmo que não esteja no físico, você sempre vai estar comigo. Você é meu anjo da guarda, pequena."


   O seu jeitinho irritante de ficar implicando comigo por que eu cortei minha franja torta, ou como eu sujo a cozinha toda quando vou fazer algo para comer. E só você sabe que quando eu fico com raiva de algo eu fico estalando a língua, e que quando eu quero um abraço eu fico batendo ombro com ombro. Você sabe dos meus gostos estranhos, das minhas manias ousadas. Você me conhece como nenhum outro, baby.


Gabrielle Abreu.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mesmo crescendo, algumas coisas nunca aprendemos.

   Recordei-me-ei quando era mais nova, e olhava para minha mãe e minha irmã e achava que ser mais velha era bom, que tudo é mais fácil. Poder ficar em casa só, sair sem companhia, ter namorado. Era eu, tão desinformada que não julgava o quão fácil era ser criança. A gente cresce e percebe que fácil era o tempo que joelhos ralados e perder o desenho animado eram as maiores das preocupações que poderíamos ter, se é que naqueles bons tempos nos preocupávamos com alguma coisa.

   Assistia o jornal das 8 esperando começar a novelinha infantil que sempre passava após o mesmo. Olhava as notícias, observava a queda do dólar ou tal guerra civil que aconteceu em tal país e fingia entender para impressionar os parentes que estavam perto, mas nunca entendia uma palavra do que falavam. Lembro do medo que senti quando assisti O Chamado pela primeira vez e passei a dormir com o corpo todo coberto, apesar do calor de dezembro. 


   Lembro que não sabia comer de garfo e faca, e quando tentava fazia arrozes voar pela a cozinha e minha mãe gritava comigo. De quando estudar era fácil, e não existiam deltas e leis de conservação no meu dia-a-dia. Lembro do medo que sentia ao dormir sem minha mãe do lado ou ficar no escuro sozinha. Lembro-me de como me lambuzava ao comer aquele chocolate que sobrava na panela.


  Sim, ainda raspo chocolate da panela. Hoje ao invés de sentir medo do escuro, simplesmente estou adaptada a ele. Algumas coisas ainda são fáceis, mas sempre há aquelas que sempre serão difíceis, mesmo passando pela situação milhares de vezes. Talvez o amor seja um dessas situações, mesmo não querendo amar, ao pensar acabamos amando sem querer. Talvez a raiva incontrolável também, aquela sensação quente que sobre para a cabeça, e de repente tudo que olhamos se transforma em uma arma mortífera capaz de matar instantaneamente.


    Algumas coisas mudam, querido. Mas só porque mudam, não significa que aprendemos.


Gabrielle Abreu.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Somente férias.

   Férias, é disso que preciso. Férias de ilusões, de stress, de barulho, de amor. Passar um tempo longe de tudo e de todos, um tempo distante das buzinas da avenida ou dos programas fúteis da televisão. Talvez uma viajem para o litoral oeste nordestino, e deixar que as ondas e as brisas tirem esses problemas dos meus ombros e me levem para longe. Bem longe. 

   Um lugar onde celulares não peguem, internet não exista, e palavras não sejam como facas recém afiadas. Onde não exista prepotência, as vezes penso eu, que talvez exista um lugar assim. Mesmo distante, mesmo sendo quase surreal. As vezes é bom agir como se houvesse toda a esperança existente em nossa carne. 


   Nem toda a esperança se foi com as lágrimas de ontem a noite, baby. 


   É hora de correr morro acima, e ver o pôr-do-sol. A beleza do grande Sol, que toda manhã nos desperta, e a noite abrir a janela e contemplar a bela Lua cheia dessa quinta-feira. É hora de sairmos da toca, você não acha? É hora de falar de nossos sentimentos, de nossos gostos. É hora de abraçarmos um amigo bem forte, e dizer que amamos aquela pessoa que guardamos sentimentos há alguns meses, talvez. 


   Mas talvez seja mesmo hora de férias. O cansaço estressante diário, é cansativo. É meio irônico, mas é assim mesmo. A nossa vida é irônica, sarcástica, dura e por fim, cansativa. 


Gabrielle Abreu.

domingo, 10 de junho de 2012


Não consigo esperar até o verão.

   De saudade do amor. As vezes acho que o amor para mim veio como um pássaro azul. Ele veio passou um tempo voando por perto, nas altas copas das poucas árvores que a maresia ainda não ressecou, mas quando o perdi de vista ele alçou voo e se foi para bem longe. Talvez um pouco mais a frente nas ilhas um pouco distante da praia, ou então se perdido nas falésias da eternidade. Ou talvez, esse belo pássaro azul, possa ter voado um pouco mais adiante. Talvez algum lugar no horizonte, onde haja árvores mais belas ou um céu mais azul.

   Um lugar onde o verão seja prolongado e as árvores mais verdes. Onde a noite seja fria e o nascer do sol aqueça seus ossos e suas penas. Que o sol seja mais quente e que as águas do mar estejam mais refrescantes. E que haja abrigo e cavernas escuras e frescas onde ele possa descansar depois de um longo dia de caça pela sobrevivência. Mas de noite ainda insista que seu teto seja as estrelas, um pedaço do universo. Maravilhando-se com as maravilhas astrológicas que as constelações nos proporcionam, mesmo sem entender. 

   E ainda espero que ele sinta falta do mimo que lhe dava, e que ele volte para casa. Volte com mais sabedoria, sabendo um pouco mais que eu, esperando que entenda como ele se sente. Entenda como ele é. 


Gabrielle Abreu.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Amado.

Como pode ser gostar de alguém e esse tal alguém não ser seu. 
Fico desejando nós gastando o mar, pôr-do-sol, postal, mais ninguém. 
Peço tanto a Deus para lhe esquecer, mas só de pedir me lembro. 
Minha linda flor, meu jasmim será, meus melhores beijos serão seus. 
Sinto que você é ligado a mim sempre que estou indo, volto atrás. 
Estou entregue a ponto de estar sempre só esperando um sim ou nunca mais. 
É tanta graça lá fora passa o tempo sem você. 
Mas pode sim, ser sim amado e tudo acontecer. 
Sinto absoluto o dom de existir, não há solidão, nem pena. 
Nessa doação, milagres do amor. 
Sinto uma extensão divina. 
É tanta graça lá fora passa, o tempo sem você mas pode sim, ser sim amado e tudo acontecer. 
Quero dançar com você.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Crescer dói.

E não é aquela dor nos ossos, não é o aumento da somatomedina. Não tem nada a ver com altura. Nem aniversários.Crescer dói. Porque ninguém cresce com experiências alheias, porque ninguém conhece a dor através do ferimento do outro.E por isso crescer dói. Amadurecer enverga nossas costas, pois temos que carregar nosso peso, o peso de nossos erros e orgulho.Conheço pessoas que tem 60 anos e não cresceram. Conheço outras de 17 anos, que já são capazes de pedir desculpas quando erram, de assumir seus próprios erros.Crescer dói muito. Dói na moral, dói no coração partido por ilusões quebradas. Dói.Quem dera crescer fosse uma fase de maturação que durasse de um tempo x a um instante y. Mas não. É uma equação que no final não era igualada a zero. É somar, dividir, multiplicar, subtrair ( claro!) e chegar ao resultado óbvio de que valeu.Valeu a dor no joelho ralado, valeu ter ficado até tarde para concluir aquele trabalho a tempo. valeu ter corrido atrás do sonho, ter escorregado naquela casa de banana, valeu ter vivido, valeu ter pagado o preço das escolhas, valeu ter escolhido este caminho. Afinal de contas, o melhor jeito que sua vida poderia estar é a forma que ela é. Valeu aprender a duras penas que equilíbrio é a receita de qualquer bolo. Valeu a pena. Crescer dói. E por isso chamam esse "crescer" de amadurecimento.Crescer é colocar uma porção grande de loucura e ir adicionando lucidez até dar ponto. 
Flávia Carvalho

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ah, se arrependimento matasse.

   E então eu fiz uma coisa que não fazia a muito tempo, sentar no chão e chorar. Tinha esquecido de como era a sensação de peso saindo aos poucos do peito, de como o chão era frio, de como o escuro já não me afetava  como afetava quando eu era mais nova. Sim machuca muito, mas não, eu não vou voltar atrás. Se aconteceu é por que era para ser assim. Optei pelo silêncio gritante e verdadeiro, optei sofrer internamente. 

   Minhas intenções sempre foram as melhores, mas o inferno está cheio de boa intenções. Eu sempre quis ser o tipo de pessoa fria, eu sempre quis saber como evitar o sofrimento. Até que eu aprendi e isso foi só se aperfeiçoando, infelizmente foi no momento errado, e eu reconheço isso. Sempre disse que era madura, decidida, e sabia bem o que queria e que nunca me arrependia das minhas escolhas, tão errada eu própria ao não perceber o que estava saindo da minha boca, eu ainda pouco ligava para isso. 

   Sim eu sou uma pessoa como todas as outras, talvez fingindo que não me importo, fingindo que não sofro, mas sim eu sofro, e como sofro. Sofrer em silêncio é veneno letal, mortal, mortífero, perigoso, fatal e tudo mais que caiba dentro do significado de morte. Morrer por dentro é a pior morte de todas, você definha aos poucos até isso atingir o exterior. E quando isso acontece, pode declarar isso como certidão de óbito. 

   De repente nada é como antes, tudo perde o significado real. Se é que antes algo tinha significado. 

Gabrielle Abreu.

domingo, 11 de março de 2012

O amor só dito é amor maldito. Amor sentido é o que é preciso, em todos os sentidos, horizontal e verticalmente. Amor semente, que não mente, amor somente, pois o que mais é preciso além da imprecisão do amor?

Falar não basta.

O amor não é uma desculpa. Você não pode justificar o ciúme com o amor. Sinto ciúme de você porque te amo demais. Eu já disse isso, mas hoje vejo diferente. Se eu amo demais, o problema é meu. Dizer que ama e quantificar o amor só serve para quem sente. Se eu tenho o maior amor do mundo, o mais puro e o que mais me faz feliz o problema é exclusivamente meu. Sabe por quê? Não importa o amor que eu sinto, não para o outro. Para o outro importa como eu demonstro, me comporto e vivo esse amor. O que adianta eu dizer que o meu amor é o mais puro de todos se eu não mostro isso? O amor não é uma palavra bonita. O maior problema do mundo, hoje, é esse. As pessoas acham que falar basta. Não, falar não basta. O amor não tem que ser dito, ele precisa ser sentido, senão ele não sobrevive.


Clarissa Corrêa.

sábado, 3 de março de 2012

Beijos e abraços que não existiram.

São aqueles abraços quentes, apertados e que me calam os pensamentos, me tirando deste mundo barulhento, tão irritante. Abraços que me protegem de perigos inexistentes, que me guardam como um tesouro raro, que me fazem dormir como um bebê tão puro desse mundo doente e que me faz esquecer de todas as minha obrigações, tranquilizando-me. 
Saudade, saudade desses seus abraços, dos seus braços frios, dos seus olhos nos meus, dos seus sussurros no meu ouvido. Seu abraço possessivo, seu abraço ao acordar e ao ir embora. Saudade dos seus abraços, somente seus abraços.
Seus beijos molhados, longos e que tiravam as palavras da minha boca antes mesmo que eu pudesse pronuncia-las, me fazendo ofegar, e pensar que não possuía mais nada no mundo que pudesse me preocupar naquele instante. 
Saudade, saudade dos seus beijos e abraços. Beijos e abraços... que nunca existiram de verdade.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Já se passaram primaveras e verões, agora estou no outono. E irei amar enquanto o inverno não chega.
Solidão, para uns significa o abismo, para a visão espiritualista significa a separação de Deus com a pessoa. Cada ser humano vem sozinho ao mundo e morre igualmente sozinho. Nós que escolhemos a solidão, ficamos no canto muitas vezes sem falar nada com ninguém. Muitas vezes necessitamos ficar sozinhos não apenas para refletir, as vezes para parar e pensar se está fazendo o que é certo, se está no caminho certo. O abismo da vida é a solidão, pois é com ela que aprendemos do jeito mais difícil de honrar o que temos, as pessoas que nos rodeiam todos os dias. Para a ciência solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. A solidão é mais um sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa, não porque simplesmente se isole, mas porque seu sentimentos precisam de algo novo que as transforme.


Autor desconhecido.